
As lágrimas escaparam furtivamente dos olhos apáticos, e seu corpo estremecia como se a dor fluisse da sua alma, vindo florescer à carne, ao físico. A dor traspassava ao semblante, tornando a face lívida. Levantou-se de súbito, o corpo amortecido. Talvez fosse o frio que emanava dentro de si mesma, que tornava os membros tolhidos, estes já banhados por suas próprias lágrimas. Tremiam os lábios de forma convulsiva, perante os fatos.
Embora fosse um prazer insano machucar-se com a reflexão do que se mostrava óbvio, ela fazia. Olhos fixos em algum ponto, e os cabelos claros que insistiam em manter-se presos à face, e não lhe caiam devido à umidade ali presente, aquelas lágrimas que insistiam em libertar-se de seu interior, vindas do breu que assombrava seu espírito, e lhe chegava aos olhos ainda quentes. Os braços trêmulos envolvendo a si mesma não impediam o avanço da solidão.
Os olhos perderam-se em algum ponto. Parecia lembrar-se de algo em um passado próximo de si, algo que lhe ocorrera a pouco tempo. Mas tudo o que conseguia enxergar eram imagens fragmentadas, o que a deixava oscilante entre um sorriso amargo e o desespero. Era uma manhã de primavera, fria e desagradável. Dentro de si apenas trevas. Não havia Lua, tampouco estrelas, ou algum tipo de luz. Não havia onde refugiar-se da tristeza, quando tudo ao seu redor parecia desmoronar aos poucos. Externamente, ela não sabia que horas eram, o que passava ao redor, tampouco quem era. Apenas era tocada pelas dolorosas lembranças. O peito começava a doer agudamente, e as mãos tremiam, sem que ao menos pudesse entender o auge do seu infortúnio. Apenas dor.
Após algum tempo em profunda reflexão, o frio lhe subia intenso, e fazia-se notável. Ela deitou-se novamente, sequer moveu-se porta afora a fim de olhar o céu. Certamente era dia, porém não conseguia sentir a luz. Ao seu redor, não precebia mais nada, como se tudo houvesse desaparecido com a sua vontade de prosseguir. Estava no quarto, não era seu, mas sentia ali algum conforto. Sua respiração se acalmou e o sono caíra pesado sobre as pálpebras. Interiorizou-se a dor, e sofre agora em silêncio.

Mto bom o texto.!
ResponderExcluirvaleu a visitinha no meu blog, volta sempre!
beijoo=*
Lindo.
ResponderExcluir'' Interiorizou-se a dor, e sofre agora em silêncio.''
O fato é que aprendemos a abafar e esconder tudo dentro de nós. Pena que um dia não mais haverá espaço e todos os sofrimentos transbordarão.
Apesar da dor causar tanto sofrimento.. aprendemos algo com a mesma.
Gostei de verdade, aguardo ansiosa o próximo post.
E obrigada pela visita ao blog Scrummiest.
Beijos.