sábado, 20 de fevereiro de 2010

Quando tudo está perdido.

Sempre existe um caminho, quando tudo está perdido sempre existe uma luz. Mas não me diga isso... Hoje a tristeza não é passageira, hoje fiquei com febre a tarde inteira e quando chegar a noite cada estrela parecerá uma lágrima. Queria ser como os outros e rir das desgraças da vida ou fingir estar sempre bem. Ver a leveza das coisas com humor. Mas não me diga isso, é só hoje e isso passa, só me deixe aqui quieto, isso passa, amanhã é um outro dia, não é? Eu nem sei porque me sinto assim, vem de repente um anjo triste perto de mim... E essa febre que não passa, e meu sorriso sem graça... Não me dê atenção, mas obrigado por pensar em mim. Quando tudo está perdido sempre existe uma luz. Quando tudo está perdido sempre existe um caminho... Quando tudo está perdido eu me sinto tão sozinho. Quando tudo está perdido não quero mais ser quem eu sou, mas não me diga isso, não me dê atenção, e obrigado por pensar em mim...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Für Immer



"Fascinação! Tens do amor toda a sua energia, todo o poder de suportar a desgraça. Seus prazeres encantadores, seus doces gozos estão sós além da tua esfera. Eu não poderia dizer vendo-a dormir: ela é toda minha, com sua beleza angelical e suas ternas fraquezas; ei-la entregue ao meu poder, tal qual o céu, em sua infinita misericórdi, a fez para encantar o coração de um homem".
                                                                  Schiller



As palavras subitamente esvaecem uma a uma em minha mente, e os olhos outrora confiantes, agora permanecem estáticos, pousados em um canto qualquer, buscando dentro de mim alguma expressão adequada. Por que é tão díficil dizer-te o que sinto?
Eu te amo. Sim, é a mais pura verdade, incontestável, irrevogavel. Porém dizer-te apenas isso soa insuficiente e talvez até negligente. Entretanto, creio que letras, palavras, frases, qualquer tentativa seria frustrada. O que eu sinto, apenas eu sei, eu guardo dentro de mim. As frases mais clichês rodeiam sem parar enquanto eu tento fugir do convencional e provar que és diferente para mim.
Se eu pudesse ao menos descrever-te o que sinto cada vez que olho pra ti... É como se tudo ao meu redor parasse. Meus batimentos cardíacos aceleram, a respiração se torna difícil e irregular, as mãos suam frio, e uma sensação de 'frio' percorre minha espinha. Eu estremeço.Eu vejo em ti o meu próprio futuro, o nosso futuro. Por que você é a perfeição personificada. Seus olhos são tão perfeitos, eu não consigo olhar para outro lugar, é como feitiço. Tu tens tudo de mim, e sabes disso, porque além da magnificiencia de sua beleza física, há ainda a sua alma, de incomensurável valor. Tu és meu refúgio quando o mundo parece desabar sobre mim, quando não resta mais nada para me manter de pé, tu me levantas e não me deixas desistir. Quisera eu ser assim para ti! Regozijaria-me em saber que sentes por mim apenas um por cento do que sinto por ti, porque é tão intenso, que não consigo entender como pode haver tanto amor em uma alma. Meu maior desejo é tê-lo para o resto da minha vida, e não obstante, desejo ainda tê-lo por toda a eternidade. Minha capacidade de expressão é falha diante de tal sentimento, eis uma pequena tentativa de expressar o meu amor por ti, incondicional, incomensurável, e eterno.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Minutos Para a Meia Noite


As lágrimas escaparam furtivamente dos olhos apáticos, e seu corpo estremecia como se a dor fluisse da sua alma, vindo florescer à carne, ao físico. A dor traspassava ao semblante, tornando a face lívida. Levantou-se de súbito, o corpo amortecido. Talvez fosse o frio que emanava dentro de si mesma, que tornava os membros tolhidos, estes já banhados por suas próprias lágrimas. Tremiam os lábios de forma convulsiva, perante os fatos.
Embora fosse um prazer insano machucar-se com a reflexão do que se mostrava óbvio, ela fazia. Olhos fixos em algum ponto, e os cabelos claros que insistiam em manter-se presos à face, e não lhe caiam devido à umidade ali presente, aquelas lágrimas que insistiam em libertar-se de seu interior, vindas do breu que assombrava seu espírito, e lhe chegava aos olhos ainda quentes. Os braços trêmulos envolvendo a si mesma não impediam o avanço da solidão.
Os olhos perderam-se em algum ponto. Parecia lembrar-se de algo em um passado próximo de si, algo que lhe ocorrera a pouco tempo. Mas tudo o que conseguia enxergar eram imagens fragmentadas, o que a deixava oscilante entre um sorriso amargo e o desespero. Era uma manhã de primavera, fria e desagradável. Dentro de si apenas trevas. Não havia Lua, tampouco estrelas, ou algum tipo de luz. Não havia onde refugiar-se da tristeza, quando tudo ao seu redor parecia desmoronar aos poucos. Externamente, ela não sabia que horas eram, o que passava ao redor, tampouco quem era. Apenas era tocada pelas dolorosas lembranças. O peito começava a doer agudamente, e as mãos tremiam, sem que ao menos pudesse entender o auge do seu infortúnio. Apenas dor.
Após algum tempo em profunda reflexão, o frio lhe subia intenso, e fazia-se notável. Ela deitou-se novamente, sequer moveu-se porta afora a fim de olhar o céu. Certamente era dia, porém não conseguia sentir a luz. Ao seu redor, não precebia mais nada, como se tudo houvesse desaparecido com a sua vontade de prosseguir. Estava no quarto, não era seu, mas sentia ali algum conforto. Sua respiração se acalmou e o sono caíra pesado sobre as pálpebras. Interiorizou-se a dor, e sofre agora em silêncio.